Ela falou.
Márgara Hadlich deu entrevista para o jornal Folha de Blumenau e se transformou na mulher-bomba catarina.
Contou tudo sobre a relação Metrópole x LHS.
A entrevista revela como funcionou o esquema do uso indevido dos meios de comunicação para fraudar a eleição de 2006.
Um pedacinho, claro, pois a Márgara só conhece o caso da Metrópole.
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Márgara fala
- Tudo começou em outubro de 2005. Eu era funcionária da empresa há sete ou oito meses, fazia trabalho de campo e também o comercial.
- Aí fui comunicada de que estava em negociação com o Armando Hess um projeto sobre a descentralização, que foi apresentado pelo Danilo Gomes e pelo Nei Silva, lá no palácio, na capital.
- E o Armando havia se entusiasmado muito. Ele disse que isso riria divulgar a descentralização em todo o Estado …
- O Armando era o interlocutor do governo. Aí me passaram várias regiões para visitar … Eu iria após o envio de e-mails do Hess.
- Eu era da parte comercial da empresa, fazia reuniões diretamente com os secretários regionais.
- Eles deveriam me dizer, me indicar, a quem procurar para anunciar na revista.
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LHS aprova revista
- Fui a um evento do Hospital Santa Izabel, em Blumenau, em novembro de 2005, para levar o boneco da primeira revista [nº 40] para o governador aprovar. Ele aprovou um boneco, pessoalmente, o primeiro apenas, que era o piloto.
- Falei com o renato Viana antes. Ele também sabia do projeto.
- Neste dia, o Luiz Henrique anotou o celular dele para que eu passasse a fazer contatos por telefone, caso precisasse. Quem atendia era o capitão Renato ou o Luis Carlos. E ele assinou o boneco da revista.
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A reunião de Itá
- Ainda estávamos tendo algumas dificuldades nos contatos. Aí o Nei me pediu que fosse à reunião do colegiado, em Itá, no Hotel Itá Thermas Resort Spa, dia 12 de dezembro de 2005.
- Cheguei dia 11. O governador chegou bem mais tarde de helicóptero. … Eu aguardava no aeroporto, como todos os jornalistas. Eu esperava com gravador na mão, uma lista dos empresários que haviam ou não entrado no projeto, e o porquê.
- O governador sabia do que se tratava. E me disse assim: ‘Márgara, não é o momento de conversar sobre isso agora, tem muita gente aqui, vai no meu apartamento daqui a meia hora’, mostrou a chave, era o nº 415, algo assim. Dei o tempo que ele pediu e subi.
- Lembro que ao lado do apartamento dele estava o Casildo Maldaner, que me cumprimentou. Eu bati na porta, ele (LHS) me recebeu, tirou tudo da minha mão, e disse: ‘Márgara, me dá o teu cartão, eu prefiro te mandar tudo por escrito porque sou melhor escrevendo que falando’.
- Eu disse: ‘O senhor é quem sabe’. E ele disse: ‘Mas fala, menina, o que mais você quer de mim’.
- Eu disse: ‘Eu trabalho na Revista Metrópole, o Nei fez uma reunião com o Armando Hess, fui designada para fazer o trabalho de campo, e eu estou aqui hoje para falar com o senhor porque não está sendo da forma que o Armando passou para a empresa. Estão nos recebendo, sim, mas não da forma como deveria, aparentemente, ser. E estou cuidando desse projeto e preciso da sua ajuda.
- O governador disse: ‘Você já conversou com o Derly (Anunciação)?’.
- Eu disse: ‘Governador, o Derly nem nos recebe.
- E o governador disse: ‘Tá, e o que você precisa então?’.
- Eu disse: ‘Preciso do apoio dos secretários regionais. Eles precisam saber que o projeto é de seu conhecimento e do governo. Só isso. Quero que eles me indiquem as empresas e eu vou atrás. Eles têm que saber que o projeto é de interesse do governo, é realmente do governo, e que me indiquem as empresas quando eu chegar na secretaria’.
- E ele disse: ‘Tá, Márgara, eu vou resolver isso amanhã cedo. Deixa isso tudo aqui que eu envio por e-mail (falando da parte editorial, da entrevista que deveria ser feita com ele)’.
- Daí eu saí, passei pelo Casildo (Maldaner), novamente, no corredor, me despedi dele. Tanto que ele me recebeu no BRDE depois, anunciou na revista e tudo.
- Às 7h30min. do dia seguinte, me dirigi à sala onde seria a reunião do colegiado, e LHS veio conversar comigo duas vezes na porta dizendo que havia repassado bilhetes aos secretários regionais e que as coisas iriam mudar para mim.
- Fiquei do lado de fora da reunião, dessa vez porque estava muito cheio de jornalistas, o que é pouco comum nessas reuniões. Mas a porta estava aberta e ouvia tudo. Eu ouvi ele (LHS) falando da revista aos secretários regionais
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Os secretários regionais em ação
- A partir da reunião do colegiado, em Itá, as ligações com os secretários regionais ficaram mais intensas. Era muito bem recebida nas secretarias. Aí os secretários me passavam uma relação de empresas, tenho e-mails de secretarias, de secretários, que me passaram relações.
- Os secretários regionais me adoravam. O de Mafra (Lourenço Schreiner), mesmo, me ligava direto. Antes disso, tivemos problemas.
- O Paulo França (de Blumenau) foi um dos que deu problema. Ele dizia que não tinha como ajudar, que tinha muitos outros problemas para resolver.
- O secretário regional de Lages (Elizeu Mattos), por exemplo, que falou na Assembléia Legislativa que ‘correu com o Nei de lá quando ele teria ido pedir apoio’, mentiu. É mentira! Eu é que estive lá, e fui bem recebida. O Nei nem foi lá.
- Ele disse na Alesc que ‘correu com a tropa de vagabundos da Metrópole da secretaria’. Mentira!”
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Os parceiros do governo
- Há mais de 50 empresas que anunciaram na revista. Tudo veio por indicação do governo, através das secretarias regionais. Não procuramos ninguém aleatoriamente.
- Alguém do PMDB ou do governo sabia.
- Blumenau foi a região que mais deu dinheiro. Um único empresário deu R$ 50 mil. O dono da Dicave (Lourival Fiedler). Visitei o empresário pessoalmente e dei pro Nei a autorização.
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Assessora do governador
- … o Derly me conhece, me via nas reuniões do colegiado. Tanto ele quanto o José Augusto Gayoso (diretor de Imprensa). Eles me conheciam bem. Aí começaram a cancelar contratos.
- Ao Otaviano Zandonai, que estava em Itá, fui apresentada pelo Casildo Maldaner. Ele assinou a autorização para a revista. Fez o anúncio. Pagou depois da publicação. Foi R$ 15 mil, R$ 12 mil em dinheiro e R$ 3 mil em permuta no hotel de Itá, onde ele é sócio.
- A denúncia do PP estava rolando. Aí ele falou com alguém do governo e me ligou cancelando tudo e me xingando. Dizendo que me apresentei como ‘assessora do governador’.
- Nunca fiz isso. Quiseram me transformar em uma bandida. Queriam se defender, atacando. O advogado dele ligou me ameaçando. Dizendo que iria me processar. Nunca o fez.
- Aí a coisa desandou. Quem tinha que pagar não pagou mais. Quem disse que iria fechar não fechou mais, e nada mais andou. Tem cheque que foi cancelado. Eles não foram inteligentes desde o início neste processo.
- Todo mundo sabia de tudo. Era uma coisa muito ampla. É lógico que iria aparecer alguma coisa. Por que negar?
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Caso de polícia
- Fiz até a revista da posse do Luiz Henrique (edição nº 46, a última do suposto acordo com o governo). Mas ele já estava blindado. Mas as revistas saíram. O acordado foi cumprido.
- Ouço o mantra na imprensa ‘Isso é caso de polícia’. Ou ‘Não tinha contrato’.
- Claro que não. Ninguém é idiota. Para irregularidade não se faz contrato. Não precisa ser especialista pra saber que algo desse tipo não poderia ser feito naquela época. E ponto!
- O que foi pago ou não, o que ele (Nei) quer receber, se é verídico ou não, eu não sei. Ele diz que tá cobrando R$ 1,4 milhão de dívida e lucro cessante da empresa.
- Ele disse que mandou uma empresa fazer esse cálculo. Disse que quebrou por causa desse projeto. Isso é verdade. E isso não é caso de polícia (extorsão), como quiseram fazer parecer.
- Não sei se o Nei foi ameaçado e teve a casa arrombada, ele fala que sim.
- Eu fui ameaçada por telefone, por uma advogada que se disse do Luiz Henrique, uma tal de Andréia. Ela me ligou no (47) 9116-4581, que era meu número à época. Ela disse que eu agia de má-fé.
- Disse que tomaria as medidas cabíveis, pois eu estaria prejudicando o governador. Nunca entrou com o processo.
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A versão do governo
- Não há e nunca houve qualquer relação entre a Revista Metrópole e o governo do Estado, muito menos com o governador Luiz Henrique da Silveira. Não há qualquer prova concreta ligando a empresa a membros da administração estadual.
- Isto é caso de polícia, trata-se de extorsão e o Ministério Público já está investigando o caso. Muito em breve haverá um desfecho para este episódio.
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O blog é obrigado a concordar com o assessor de imprensa do governo. O caso é de polícia mesmo. Talvez com outros réus, mas definitivamente um caso de polícia.
Aliás, de fácil verificação. Basta o coronel Eliésio chamar os dois oficiais citados pela Márgara e fazer três ou quatro perguntinhas.
E depois convocar uma coletiva.
Se o Nei já incomodava muita gente, imagina dona Márgara Hadlich, calejada de guerra, que já foi presa e condenada e parece ter tanto ou mais disposição para enfrentar os fatos quanto o Nei Silva.
A semana promete.